Pedro Coudrin nasceu no dia 1º de março de 1768, em Coussay-les-Bois, na França, sendo o sétimo filho de uma família profundamente católica. Seus pais, Francisco Coudrin e Maria Rion, dedicaram-se com carinho à sua formação humana e religiosa, lançando as bases de uma fé sólida e de uma vocação amadurecida desde cedo.
Ainda jovem, iniciou seus estudos em Chatellerault e, em 1785, ingressou na Universidade de Poitiers. Diante das dificuldades financeiras da família, trabalhou como preceptor dos filhos de uma família ligada à corte real em Paris, conciliando o trabalho com a formação acadêmica e espiritual.
Henriqueta Aymer de la Chevalerie nasceu em 11 de agosto de 1767, no Castelo de La Chevalerie, em Saint Georges-de-Noisné, próximo a Poitiers, na França. Cresceu em uma família nobre, unida e profundamente cristã, como a única filha entre dois irmãos, em um ambiente de afeto e formação sólida.
Com a morte de seu pai, em 1777, Henriqueta assumiu precocemente responsabilidades no cuidado da família, tornando-se apoio essencial para sua mãe. Recebeu formação no internato das Beneditinas de Santa Cruz, em Poitiers, onde aprofundou sua educação humana e espiritual. Jovem de grande beleza, presença marcante e inteligência viva, destacava-se nos círculos sociais da cidade, mas seu coração buscava algo mais profundo.
Durante os anos de perseguição à Igreja na França, Pedro Coudrin, então estudante de teologia, manteve-se firme no desejo de tornar-se sacerdote. Mesmo sob ameaça, foi ordenado diácono e, em 4 de março de 1792, recebeu a ordenação sacerdotal na biblioteca do Colégio dos Irlandeses, em Paris. Retornando à sua cidade natal, celebrou ali sua primeira Missa. Pouco tempo depois, ao ser procurado pela polícia para ser preso, precisou fugir e se esconder no sótão do celeiro do Castelo de la Motte d’Usseau, onde permaneceu confinado por cinco meses.
Foi nesse tempo de silêncio, oração e provação que amadureceu espiritualmente e recebeu a inspiração divina de fundar uma Congregação religiosa: ali nascia, em seu coração, o projeto que se tornaria a Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.
Após sair do esconderijo, retomou sua atividade apostólica com intensidade, contando com o apoio da Associação do Sagrado Coração, formada por mulheres engajadas na vida espiritual e na caridade. Nesse contexto, conheceu a jovem Henriqueta Aymer, com quem consolidou o projeto fundacional. Na noite de Natal do ano 1800, nasceram oficialmente a Congregação e seu carisma.
Pedro Coudrin passou então a ser conhecido como Pe. José Maria Coudrin, SS.CC., dedicando sua vida à formação religiosa, à missão apostólica e à consolidação da obra que Deus lhe confiara.
Sua “Páscoa definitiva” aconteceu no dia 27 de março de 1837, na casa de Picpus, em Paris. Deixou à Igreja um testemunho luminoso de coragem, perseverança e ternura, marcado por profunda confiança em Deus e ardor pelo Reino.
Hoje, seu legado permanece vivo em cada irmão e irmã da Congregação, que procuram seguir seu exemplo, contemplando, vivendo e anunciando o amor dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.
Com a chegada da Revolução Francesa, sua vida mudou radicalmente. Por acolher sacerdotes perseguidos, foi denunciada e presa com sua mãe em 1793, permanecendo quase um ano encarcerada em duras condições. Esse período de sofrimento tornou-se também um tempo de profunda conversão interior, marcado por oração, discernimento e caridade para com os mais esquecidos da prisão.
Libertada em setembro de 1794, Henriqueta retornou à vida transformada. Aos 28 anos, suplicava a Deus que lhe mostrasse o caminho que deveria seguir. Foi então que conheceu Pedro Coudrin, cuja palavra e espiritualidade lhe trouxeram paz e confirmação vocacional. Sob sua orientação espiritual, ingressou na Associação do Sagrado Coração e se dedicou intensamente à adoração e à vida de oração.
Em 1796, passou a acompanhar um grupo de jovens desejosas de viver inteiramente para Deus. A esse pequeno núcleo foi dado o nome de “As Solitárias”, e Henriqueta assumiu a liderança espiritual do grupo. Com grande generosidade, vendeu todo o patrimônio herdado de seu pai para adquirir a primeira casa da nova comunidade, conhecida até hoje como “Grand’ Maison”.
No dia 20 de outubro de 1800, foram professados os primeiros votos públicos das religiosas e, na noite de Natal do mesmo ano, junto com o Pe. Coudrin, Henriqueta consagrou definitivamente a Congregação dos Sagrados Corações, tornando-se para sempre sua Mãe e Fundadora.
Com espírito missionário e profunda confiança em Deus, abriu 17 casas na França, em meio a grandes dificuldades materiais. Foi a alma espiritual e a sustentação concreta das duas ramas da Congregação: irmãos e irmãs. Formou centenas de jovens, especialmente as mais pobres, promovendo educação, fé e dignidade.
Mulher de grande austeridade e, ao mesmo tempo, de ternura e alegria, sua pedagogia baseava-se no amor: desejava que as crianças “se sentissem felizes” e sabendo-se amadas. Também carregou no coração o impulso missionário, colaborando na preparação das primeiras missões além-mar.
Após uma vida de entrega total, adoeceu gravemente a partir de 1829, permanecendo acamada por cinco anos, unida ao sofrimento de Cristo. Mesmo sem poder exercer atividades externas, continuou sendo o coração vivo da Congregação.
Madre Henriqueta Aymer de la Chevalerie faleceu em 23 de novembro de 1834, deixando como herança uma obra viva, sustentada pela fé, pelo amor e pelo sacrifício. Sua vida foi um dom inteiramente oferecido a Deus e à Igreja.
Hoje, seu exemplo continua iluminando a missão da Congregação, inspirando gerações de consagrados e leigos a viverem sob o signo dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.