Eles nos ensinaram que a esperança nasce quando o amor é mais forte que o medo.
Hoje queremos conversar com você sobre algo que pulsa fortemente em nosso coração: o testemunho dos nossos mártires. Eles nos ensinaram que a esperança não é fuga, mas força — uma força que nasce quando o amor supera o medo. Ao partilhar suas histórias, queremos que você sinta o mesmo impulso que nos move: seguir Jesus com coragem, mesmo quando a fé é provada. Que este encontro com a memória deles reacenda em você a certeza de que a esperança cristã é viva, concreta e transformadora.
Quando a fé é provada e floresce na esperança
Inicialmente, olhamos para a história da Igreja e vemos que a fé, muitas vezes, floresceu precisamente no fogo das perseguições, e o exemplo dos mártires da Congregação dos Sagrados Corações, tanto na Espanha quanto em Picpus, na França, oferece um testemunho de esperança cristã inigualável. As narrativas de perseguição religiosa no século XX na Espanha, onde as ideologias ateias e laicistas se afirmaram com poder político, ecoam as tensões de 1871 na França, durante a Comuna de Paris, quando a secularização da sociedade buscava a ruptura com a velha ordem. Estas épocas desafiadoras exigiram uma fidelidade extrema dos religiosos, que foram acusados e encarcerados por sua devoção.
De fato, a perseguição que atingiu os religiosos da Congregação dos Sagrados Corações na França, em 1871, durante a “Comuna de Paris”, foi motivada por acusações de cumplicidade com os opressores e um desejo de afastar a religião da sociedade. Da mesma forma, os Padres Teófilo, Isidro, Gonçalo, Eládio e Mário na Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola, sofreram o martírio “por ódio à fé“, inserindo-se na trágica contagem dos mártires do século XX, que se estendeu por países como México, China, Rússia e Polônia.
Consequentemente, o derramamento de sangue desses santos, os mártires da Congregação dos Sagrados Corações, transforma-se em semente, gerando vocações e fortalecendo a comunidade de fé. Quando a Igreja reconhece e beatifica seus filhos — como ocorreu com os mártires da Espanha, beatificados em 2013, em Tarragona e com os mártires de Picpus — ela oferece ao mundo um luminoso testemunho de esperança cristã, provando que o amor a Deus é mais forte que a violência e a morte.
Os Mártires da Espanha: coragem na fidelidade
Primeiramente, precisamos reconhecer a identidade destes heróis da fé, os mártires da Congregação dos Sagrados Corações na Espanha: os padres Teófilo, Isidro, Gonçalo, Eládio e Mário. Estes cinco religiosos encontraram o martírio durante o início da guerra civil espanhola, entre agosto e outubro de 1936, um período de intensa perseguição que ceifou a vida de milhares de sacerdotes e leigos no país. Seu sacrifício os coloca entre os mais de mil já beatificados ou canonizados de um universo de dez mil assassinados na Espanha “por ódio à fé”.
Certamente, o sofrimento que enfrentaram exigiu uma coragem imensa e uma serenidade enraizada na fé, pois foram vítimas da violência promovida por ideologias ateias e laicistas que buscavam afirmar o poder político. Embora não tenhamos os detalhes de seus últimos momentos nos relatos, sabemos que a Igreja os beatificou por sua fidelidade inabalável, honrando a maneira como abraçaram a Cruz em meio a uma das maiores perseguições religiosas do século XX. Eles representam a resistência espiritual contra o ódio e a afirmação do amor divino sobre a ameaça da morte.
Além disso, a herança espiritual deixada por estes mártires da Congregação dos Sagrados Corações à sua comunidade e à Igreja é a prova viva de que a fé persiste e triunfa sobre a adversidade. Entre eles, destaca-se o Padre Teófilo Fernández de Legaria Goñi, beatificado em 13 de outubro de 2013 em Tarragona, junto com outros 521 mártires da perseguição religiosa na Espanha. Seu testemunho confirma que a esperança cristã floresce mesmo nas horas mais sombrias da história, quando a fidelidade ao Evangelho é posta à prova.
Mártires de Picpus: raízes de um carisma que se doa
Começamos por entender que o testemunho de fidelidade dos mártires de Picpus, na França, está intrinsecamente ligado à identidade e ao carisma da Congregação. Em março de 1871, durante a revolta da “Comuna de Paris”, que buscava a secularização da sociedade e a ruptura com a velha ordem, membros da Congregação dos Sagrados Corações foram presos. Quatro membros do Conselho Geral dos irmãos — o Beato Ladislau Radigue, Pe. Policarpo Tuffier, Pe. Marcelino Rouchouze e Pe. Frézal Tardieu — permaneceram na prisão e se tornaram os pilares deste sacrifício fundador.
Em seguida, o ápice do sofrimento redentor ocorreu na “semana sangrenta”. Na sexta-feira, 26 de maio de 1871, esses Padres SSCC foram selecionados aleatoriamente, levados para a Rua Haxo e massacrados diante de uma multidão enfurecida. Este evento, conhecido como o “Massacre da Rua Haxo”, não apenas marcou a história da Congregação, mas também sublinhou a profunda dedicação de líderes como o Beato Ladislau Radigue, que, como Conselheiro Geral e Mestre de Noviços, já era reconhecido por seus ex-noviços como a “regra viva da Comunidade, um modelo de regularidade”.
Finalmente, a memória destes mártires da Congregação dos Sagrados Corações de Picpus serve como raiz profunda de um carisma que se doa completamente, mesmo sob perseguição. A fidelidade e liderança demonstradas, especialmente por Ladislau Radigue em tempos de crise, transformaram a tragédia da Comuna em um duradouro testemunho de esperança cristã. O sacrifício deles, ocorrido na Casa Mãe (Picpus), reafirma a disposição da Congregação em seguir Cristo até o fim, e este martírio oferece uma base espiritual inabalável para a missão de reparação.
Esperança que renasce no Advento
De início, a memória dos mártires da Congregação dos Sagrados Corações adquire uma profunda relevância no Tempo do Advento, que é um período de espera e preparação para acolher Cristo. O Papa Francisco, ao introduzir o ciclo de catequeses sobre a esperança, afirmou que Jesus: “é a meta de nossa peregrinação e o caminho a ser percorrido”. O martírio, o ato supremo de imitar Cristo, torna-se, assim, a preparação radical para acolher Aquele que já está presente na história, mas cuja plenitude ainda almejamos.
Neste sentido, o exemplo de fidelidade e coragem dos mártires inspira fortemente a perseverança e a oração em meio às nossas provações diárias. O Papa Francisco recorda-nos que, em diferentes graus de intensidade, “a confissão da fé ocorre em um clima de hostilidade”. Contudo, a perseguição não contradiz o Evangelho, mas faz parte dele. Os mártires da Congregação dos Sagrados Corações nos mostram que a verdadeira derrota seria cair na tentação da vingança e da violência, pois a única força do cristão é o Evangelho.
Portanto, a grande força que animava os mártires era a certeza de que “nada e ninguém podia separá-los do amor de Deus doado em Jesus Cristo”. Em tempos de dificuldade, devemos crer que Jesus está à nossa frente e nos acompanha. Somos convidados a orar para que a coragem e o testemunho de esperança cristã dos mártires, que são mais numerosos hoje do que nos primeiros séculos, “contagiem a Igreja com a sua coragem e o seu impulso missionário“. Assim como a oração do pobre se eleva até Deus, nosso desprendimento e confiança total no Pai nos garante que Ele cuida de nós.
Testemunhas para o nosso tempo
Em suma, o convite mais forte que nos deixam os mártires da Congregação dos Sagrados Corações é o de vivermos a esperança de maneira ativa e prática no nosso cotidiano. Não podemos perder a esperança nem fugir da realidade, mas buscar transformar o presente com o bem. Como Igreja em saída, somos chamados a “ir ao encontro das periferias humanas”, buscando o que não sabemos – o que Paulo Freire chamou de “esperançar”. Nossa esperança cristã é um impulso que transforma a realidade, pois é movida pela confiança na implantação do Reino de Deus.
Com efeito, o testemunho de esperança cristã não é reservado apenas aos que chegam ao derramamento de sangue; “todo cristão é chamado a dar testemunho com a sua vida“, transformando a si mesmo em um dom a Deus e aos irmãos. Devemos manter a fidelidade ao estilo de Jesus, que é um estilo de esperança, assumindo uma atitude de caridade e mansidão, perdoando sempre os algozes. Somos desafiados a vivenciar o “martírio escondido“, que consiste em fazer o bem e cumprir os nossos deveres diários com amor.
Finalmente, que o exemplo destes bravos homens de fé nos inspire a seguir a Jesus encarnado, morto e ressuscitado. Os mártires são “frutos maduros e excelentes da vinha do Senhor“, e sua vida é a prova de que a esperança em Deus não conhece ocaso. Que o espírito de retidão e fidelidade dos mártires de Picpus ecoe em nossos corações: o Beato Ladislau Radigue, conselheiro geral e mestre de noviços, foi a “regra viva da Comunidade, um modelo de regularidade”. Ele nos lembra que a constância e a regularidade no amor são o fundamento do nosso testemunho de esperança cristã.
Reze conosco pelos mártires e fortaleça sua fé na esperança dos Sagrados Corações. Acompanhe nossas redes e participe dos momentos de oração.