20 de janeiro de 1817: o dia em que o nosso carisma ganhou voz oficial
Recordar o dia 20 de janeiro de 1817 é, para todos nós, celebrar o momento em que a Igreja reconheceu oficialmente a missão da nossa Congregação dos Sagrados Corações. Essa Aprovação Pontifícia confirmou que o nosso carisma, nascido na perseguição e na clandestinidade, era verdadeiramente obra do Espírito Santo e deveria alcançar os corações em todo o mundo.
Além disso, esse reconhecimento consolidou uma missão que já pulsava em nosso interior desde a Revolução Francesa: o desejo de reparar, consolar e anunciar o amor dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria em tempos de dor e esperança.
A nossa fundação na clandestinidade: Coudrin e Henriqueta na Revolução Francesa
No final do século XVIII, a França foi profundamente marcada pela Revolução Francesa, um processo que, embora inspirado por ideais de liberdade e igualdade, provocou instabilidade, conflitos e rupturas severas com as instituições tradicionais. A Igreja esteve entre as mais atingidas, pois enfrentou restrições, perseguições e a perda de seus espaços públicos, o que colocou à prova a fidelidade e a coragem de muitos cristãos.
Nossa Congregação nasceu nesse contexto, um dos períodos mais desafiadores da história da Igreja, durante o Reinado do Terror, quando viver a fé exigia coragem e resistência. Naquele tempo, autoridades perseguiam sacerdotes e mantinham as igrejas fechadas, obrigando os fiéis a sustentar a vida espiritual de forma clandestina.
Nesse cenário, o nosso Bom Pai (Pe. José Maria Coudrin), ordenado clandestinamente, passou meses escondido em um sótão, onde recebeu a visão de homens e mulheres vestidos de branco anunciando Cristo pelo mundo.
Da mesma forma, a nossa Boa Mãe (Madre Henriqueta Aymer), que chegou a ser presa por acolher sacerdotes perseguidos, teve seu coração transformado pela devoção aos Sagrados Corações.
Logo depois, ao se encontrarem, eles perceberam que compartilhavam o mesmo chamado: unir adoração, reparação e missão. Assim, na noite de Natal de 1800, professaram seus votos e fundaram a nossa família religiosa.
O reconhecimento da nossa missão: a força da aprovação Papal
A expansão da nossa obra nascente exigia o respaldo oficial da Igreja para caminhar com segurança. A aprovação papal de 1817 não apenas legitimou nossa missão, mas confirmou que a nossa espiritualidade, nascida da dor e amadurecida na esperança, era um presente necessário para o mundo.
Posteriormente, esse reconhecimento permitiu que o nosso carisma missionário e contemplativo se expandisse para além da França, levando a mensagem de reparação e misericórdia a terras distantes.
A nossa missão no Pacífico Sul: Polinésia Francesa e Havaí
Fortalecidos por esse apoio pontifício, nossos primeiros missionários partiram para o Pacífico Sul, onde a nossa missão encontrou um terreno profundamente fecundo. Essa audácia missionária permitiu que o amor de Deus atravessasse oceanos para alcançar os mais necessitados.
Nesse sentido, a nossa presença na Polinésia Francesa e no Havaí revelou ao mundo o testemunho luminoso de São Damião de Molokai, que entregou sua vida no cuidado aos irmãos mais sofridos.
Além disso, sua dedicação radical tornou-se para nós o símbolo vivo do amor reparador dos Sagrados Corações, mostrando que a nossa vocação é feita de entrega total.
A nossa chegada ao Brasil: expansão e serviço desde 1925
Nós tivemos a alegria de chegar ao Brasil em 1925, trazendo conosco o ardor missionário e a espiritualidade dos Sagrados Corações. Desde o início, buscamos integrar a oração e a ação em solo brasileiro, plantando sementes de esperança em nossas comunidades.
Em seguida, aqui floresceu o testemunho do nosso querido Beato Padre Eustáquio, o missionário da saúde e da paz, cuja vida marcou gerações com acolhimento e evangelização.
Atualmente, damos continuidade a esse legado através do Santuário da Saúde e da Paz, em Belo Horizonte, e da Associação Social Padre Eustáquio (ASPE), provando que a nossa fé contemplada se transforma em ação social que renova vidas.
De modo semelhante, as iniciativas locais da Congregação expressam essa mesma direção. Ações assistenciais, projetos educativos, casas de acolhimento para idosos e outras frentes solidárias demonstram que a missão se concretiza em atitudes simples e cheias de cuidado. São experiências que edificam, pois revelam que a ação social católica torna visível o Evangelho colocado em prática no cotidiano.
A nossa devoção como força: a aprovação que impulsionou a nossa espiritualidade
A aprovação pontifícia fortaleceu a nossa devoção aos Sagrados Corações e impulsionou decisivamente a nossa espiritualidade. Esse reconhecimento consolidou essa devoção como a marca espiritual que nos define. Assim, a Igreja confirmou um caminho já vivido com fidelidade e entrega.
A espiritualidade dos Sagrados Corações é um chamado a contemplar, viver e anunciar o amor misericordioso de Deus revelado em Jesus. Ela nasce do Coração transpassado de Cristo e se torna caminho de reparação, esperança e entrega total ao Evangelho.
Antes de tudo, essa espiritualidade se expressa na adoração reparadora, em que religiosos, religiosas e leigos permanecem diante do Senhor oferecendo amor por toda a humanidade. É uma oração que cura feridas, sustenta a missão e mantém viva a chama da fé.
Além disso, ela se concretiza na vida fraterna, vivida como verdadeira família espiritual. Irmãos e irmãs partilham a fé, o serviço e a missão, testemunhando que o amor de Jesus e Maria gera comunhão e transforma relações.
Por fim, o carisma se manifesta no zelo apostólico e na devoção aos Sagrados Corações, que impulsionam a Congregação a evangelizar, servir os pobres e mergulhar no amor redentor de Cristo e de Maria. Esses pilares sustentam uma espiritualidade que hoje alcança o mundo inteiro.
Fidelidade e crescimento: onde a nossa Congregação está hoje
Nossa vocação SSCC mantém o coração voltado para as necessidades do mundo contemporâneo. Hoje, estamos presentes em 33 países, mantendo viva a chama que o Bom Pai e a Boa Mãe acenderam na noite de Natal de 1800.
Além disso, no Brasil, nossa Província acompanha de perto a vida de oito paróquias e desenvolve ações sociais fundamentais, como creches comunitárias e apoio a famílias em vulnerabilidade.
Da mesma forma, caminhamos junto ao Ramo Secular, onde leigos e leigas partilham nossa espiritualidade de adoração e missão, como testemunhamos no recente encontro latino-americano (ELARS).
Celebrar a nossa história é reconhecer a fidelidade de Deus
Celebrar a nossa história é reconhecer a fidelidade de Deus que, desde a fundação, sustenta e orienta cada passo da Congregação. Nossa trajetória nasce da coragem de quem transformou tempos de dor em caminhos de missão e esperança.
Além disso, essa memória viva nos recorda que a obra dos Sagrados Corações sempre floresceu graças a homens e mulheres que escolheram servir com generosidade, reparação e confiança. Cada gesto missionário prolonga o amor que recebemos.
Por fim, inspirados por São Damião e pelo Beato Padre Eustáquio, somos chamados a contemplar, viver e anunciar o Amor Salvador de Deus com ternura. Assim, nossa história continua sendo sinal de fé que se renova e se oferece ao mundo.
Nosso convite à oração
Celebrar nossa história é reconhecer a ação constante de Deus que, ao longo dos séculos, sustenta a missão dos Sagrados Corações. Cada etapa revela um amor que nos precede e nos impulsiona. Somos herdeiros de uma espiritualidade que transforma desafios em caminhos de esperança.
Além disso, essa memória nos recorda que a missão floresce quando permitimos que o amor de Jesus e Maria modele nossos gestos. A coragem dos que nos antecederam inspira nossa própria entrega. Assim, seguimos comprometidos com uma fé que se traduz em compaixão e serviço.
Por fim, desejamos que essa mesma fidelidade continue a iluminar nossa caminhada. Convidamos você a unir-se a nós em oração, pedindo que o carisma dos Sagrados Corações gere frutos de misericórdia no mundo. Que juntos transformemos a fé em gestos concretos de amor ao próximo.
Una-se à Congregação dos Sagrados Corações em oração e, conosco, contemple, viva e anuncie o amor misericordioso de Cristo no mundo.