Esperança viva no coração do povo.
No dia 30 de agosto, celebramos com fé a festa litúrgica de Beato Eustáquio, marcada por sua Páscoa definitiva em 1943. Essa data, cheia de significado, nos convida a recordar com gratidão a vida daquele que foi sinal de esperança para tantos.
Em 3 de novembro de 1890, nasceu na Holanda Hubertus van Lieshout, que mais tarde se tornaria nosso amado padre Eustáquio. Com o coração inflamado de fé e guiado pela esperança no chamado divino, ele ingressou na Congregação dos Sagrados Corações em 1905, movido pelo profundo desejo de servir a Deus e aos irmãos.
Inspirado por São Damião de Molokai — apóstolo dos leprosos e sacerdote da mesma congregação —, fez seu noviciado em 1913 na Bélgica. Ao receber o hábito religioso, assumiu com alegria o nome de Eustáquio, sinal de sua entrega total ao Senhor.
Por fim, professou seus votos em 27 de janeiro de 1915 e foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1919. Atuou entre refugiados belgas com ardor e esperança, sendo condecorado Cavaleiro da Coroa Belga pelo Rei.
O missionário incansável: da Europa ao Brasil
Impelido pelo espírito missionário, padre Eustáquio atuou como pregador de retiros na Europa, passando pela Espanha em 1924. Contudo, sua grande vocação o esperava, e no ano seguinte, em 1925, ele desembarcou no Rio de Janeiro, trazendo no coração o desejo de levar esperança aos que mais sofrem.
Assim, ao chegar ao Brasil, ele, com outros irmãos de congregação, assumiu a pastoral do Santuário de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja e de outras paróquias da diocese de Uberaba. Em 26 de março de 1926, sua dedicação o elevou a reitor do santuário Nossa Senhora da Abadia e conselheiro da congregação no Brasil.
Nesse período, ele se dedicou incansavelmente, oferecendo orientação espiritual e auxiliando comunidades com a mesma paixão. Sua presença era um verdadeiro farol de esperança, espalhando as bênçãos divinas por onde quer que ele fosse.
Toque de cura: o apóstolo das bênçãos
Em particular, nosso Beato padre Eustáquio tornou-se conhecido por suas orientações e pelas curas físicas que Deus operava através dele. Ele sempre falava da disposição divina de curar a pessoa integralmente, corpo e espírito, indicando medicamentos, folhas e raízes. Padre Eustáquio foi o apóstolo das curas, das quais se ocuparam largamente os jornais de nosso país.
Consequentemente, sua fama rapidamente se espalhou, e multidões afluíam incessantemente em busca de sua ajuda e de suas orações. O grande número de pessoas que o procuravam gerava aglomerações, o que resultou em suas transferências entre cidades.
Legado em Belo Horizonte: fé e edificação
Padre Eustáquio chegou a Belo Horizonte em abril de 1942. Já em maio de 1943, apresentou à comunidade a maquete da futura Igreja Matriz, hoje conhecido como o Santuário da Saúde e da Paz.
Desde então, tornou-se evidente a necessidade de uma nova igreja. A grande procura pelas bênçãos do Padre superava a capacidade da Capela Cristo Rei, da antiga paróquia de São Domingos.
Por providência divina, o prefeito Juscelino Kubitschek doou um terreno. Esse gesto permitiu que o sonho de um templo maior se tornasse realidade, acolhendo o povo com dignidade e fé.
Assim, Padre Eustáquio lançou a pedra fundamental ainda em maio de 1943. Na ocasião, declarou: “Por padroeiros titulares da Igreja, escolhemos os Sagrados Corações de Jesus e de Maria, para que ainda melhor possamos corresponder nossa vocação de propagar a devoção dos Sagrados Corações e adorar e dar reparação ao Divino Sacramento Escondido.”
Assim nasceu um lugar consagrado à devoção, à cura e à paz. Até hoje, o Santuário irradia esperança viva por meio dos Sagrados Corações.
A Páscoa de um servo fiel
Logo no início de agosto de 1943, em Belo Horizonte, percebeu-se que padre Eustáquio já não apresentava o mesmo vigor. Seu semblante mostrava sinais de cansaço e fraqueza. Ainda assim, na manhã do dia 23, mesmo com febre e visivelmente abatido, ele manteve sua rotina e foi à Igreja para celebrar a santa missa.
Após a celebração da missa, padre Eustáquio retirou-se à sacristia, sentou-se e desmaiou repentinamente. Os médicos diagnosticaram tifo exantemático, transmitido por picada de carrapato. Mesmo diante da gravidade, permaneceu em oração, recebeu o sacramento dos enfermos e expressou o desejo de ver padre Gil.
Finalmente, no dia 30 de agosto, padre Gil conseguiu chegar. Ao vê-lo se aproximar, Padre Eustáquio reuniu suas últimas forças para se levantar. Com a voz pacificada e comovente, disse: “Padre Gil, graças a Deus!” e, em seguida, entregou sua alma a Deus.
Beatificação de Padre Eustáquio
Foi no dia 12 de novembro de 1997 que o padre Angel Lucas, postulador-geral da Congregação dos Sagrados Corações, deu entrada no pedido oficial de análise do milagre atribuído à intercessão de padre Eustáquio. A graça teria acontecido com o padre Gonçalo Belém Rocha, diagnosticado com câncer na garganta. O processo de beatificação exige essa comprovação para avançar após a investigação da vida do candidato.
Em seguida, o caso ganhou força com o testemunho do Cardeal Dom Serafim: “Passamos uns minutos rezando. […] Na operação segunda-feira, algo de impensável havia acontecido. […] O raio X comprovava ‘não havia nada a ser extirpado’ alguém chegará antes!”. A cura, atestada por médicos, foi considerada inexplicável para a ciência.
Em janeiro de 1998, o caso foi enviado ao Vaticano e analisado por uma junta médica da consulta romana. Como não encontraram explicações naturais, a Santa Sé reconheceu o milagre. Em 2005, o Papa Bento XVI aprovou oficialmente a cura, permitindo a beatificação de padre Eustáquio.
Na luz de sua missão, a história de padre Eustáquio é um testemunho vivo de fé, entrega e esperança. Suas palavras, gestos e orações continuam tocando corações até hoje.
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