Fundadores

Madre Henriqueta Aymer de Chevalerie, ss.cc

Henriqueta Aymer de la Chevalerie nasceu em 11 de agosto de 1767, no Castelo de La Chevalerie, em Saint Georges-de-Noisné, próximo a Poitiers, na França. Cresceu em uma família nobre, unida e profundamente cristã, como a única filha entre dois irmãos, em um ambiente de afeto e formação sólida.

Com a morte de seu pai, em 1777, Henriqueta assumiu precocemente responsabilidades no cuidado da família, tornando-se apoio essencial para sua mãe. Recebeu formação no internato das Beneditinas de Santa Cruz, em Poitiers, onde aprofundou sua educação humana e espiritual. Jovem de grande beleza, presença marcante e inteligência viva, destacava-se nos círculos sociais da cidade, mas seu coração buscava algo mais profundo.

Com a chegada da Revolução Francesa, sua vida mudou radicalmente. Por acolher sacerdotes perseguidos, foi denunciada e presa com sua mãe em 1793, permanecendo quase um ano encarcerada em duras condições. Esse período de sofrimento tornou-se também um tempo de profunda conversão interior, marcado por oração, discernimento e caridade para com os mais esquecidos da prisão.

Libertada em setembro de 1794, Henriqueta retornou à vida transformada. Aos 28 anos, suplicava a Deus que lhe mostrasse o caminho que deveria seguir. Foi então que conheceu Pedro Coudrin, cuja palavra e espiritualidade lhe trouxeram paz e confirmação vocacional. Sob sua orientação espiritual, ingressou na Associação do Sagrado Coração e se dedicou intensamente à adoração e à vida de oração.

Em 1796, passou a acompanhar um grupo de jovens desejosas de viver inteiramente para Deus. A esse pequeno núcleo foi dado o nome de “As Solitárias”, e Henriqueta assumiu a liderança espiritual do grupo. Com grande generosidade, vendeu todo o patrimônio herdado de seu pai para adquirir a primeira casa da nova comunidade, conhecida até hoje como “Grand’ Maison”.

No dia 20 de outubro de 1800, foram professados os primeiros votos públicos das religiosas e, na noite de Natal do mesmo ano, junto com o Pe. Coudrin, Henriqueta consagrou definitivamente a Congregação dos Sagrados Corações, tornando-se para sempre sua Mãe e Fundadora.

Com espírito missionário e profunda confiança em Deus, abriu 17 casas na França, em meio a grandes dificuldades materiais. Foi a alma espiritual e a sustentação concreta das duas ramas da Congregação: irmãos e irmãs. Formou centenas de jovens, especialmente as mais pobres, promovendo educação, fé e dignidade.

Mulher de grande austeridade e, ao mesmo tempo, de ternura e alegria, sua pedagogia baseava-se no amor: desejava que as crianças “se sentissem felizes” e sabendo-se amadas. Também carregou no coração o impulso missionário, colaborando na preparação das primeiras missões além-mar.

Após uma vida de entrega total, adoeceu gravemente a partir de 1829, permanecendo acamada por cinco anos, unida ao sofrimento de Cristo. Mesmo sem poder exercer atividades externas, continuou sendo o coração vivo da Congregação.

Madre Henriqueta Aymer de la Chevalerie faleceu em 23 de novembro de 1834, deixando como herança uma obra viva, sustentada pela fé, pelo amor e pelo sacrifício. Sua vida foi um dom inteiramente oferecido a Deus e à Igreja.

Hoje, seu exemplo continua iluminando a missão da Congregação, inspirando gerações de consagrados e leigos a viverem sob o signo dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.