Durante a Guerra Civil Espanhola (1936–1939), a Igreja na Espanha atravessou um dos períodos mais dolorosos de sua história. Em meio à perseguição religiosa desencadeada pelo conflito, muitos cristãos foram presos, torturados e assassinados por causa de sua fé.
A Congregação dos Sagrados Corações sofreu profundamente nesse contexto. Quatorze religiosos deram a própria vida como testemunho de fidelidade a Cristo. Embora apenas cinco tenham tido suas causas formalmente introduzidas para o reconhecimento oficial do martírio — por falta de informações precisas sobre o destino dos demais — para a Congregação todos são reconhecidos como verdadeiros mártires da fé.
Entre aqueles cuja causa foi oficialmente apresentada à Igreja, destacam-se:
Todos foram mortos por ódio à fé, permanecendo fiéis ao sacerdócio e ao Evangelho até o fim.
O decreto de reconhecimento do martírio foi aprovado pelo Papa Papa Bento XVI em 3 de julho de 2009. Em 13 de outubro de 2013, foram solenemente beatificados em Tarragona, juntamente com mais de quinhentos mártires do mesmo período.
Desde 27 de novembro de 2010, seus restos mortais repousam na Paróquia dos Sagrados Corações de Madri, na capela dedicada a São Damião de Molokai, símbolo eloquente de entrega total e caridade heroica.
Pouco antes de sua morte, o Pe. Teófilo, superior e formador no Seminário Maior de El Escorial, deixou registrada esta exortação profética aos jovens religiosos:
“Que herdemos o espírito heroico do Bom Pai, nosso Fundador. E, se chegarem dias difíceis, permaneçamos firmes na fé e decididos a trabalhar por ela.”
Outro mártir, o Pe. Gonzalo Barrón, declarou com coragem diante de seus algozes:
“Sou sacerdote. Preguei muitas vezes e fui em peregrinação, porque esta é a minha missão.”
O testemunho desses irmãos continua a ecoar na história da Congregação como um chamado à fidelidade, ao amor sem limites e à coragem na missão. Que seu sangue derramado seja semente de novas vocações e inspire cada geração a anunciar, com a própria vida, o Amor do Coração de Cristo transpassado.