Testemunhas da Fé e do Amor até o Fim
Em março de 1871, estourou na França uma revolta chamada “Comuna de Paris”. No centro das desejadas reformas políticas e sociais estava um desejo de maior participação, liberdade e igualdade, assim como a secularização da sociedade e o acesso de todos à educação. Buscava a ruptura com a velha ordem. Os religiosos foram acusados de cumplicidade com os opressores feudais, capitalistas, bonapartistas ou opressores de Versalhes.
No dia 12 de abril, os membros da revolta, chamados “federados”, entraram nas casas dos Irmãos e Irmãs da Congregação dos Sagrados Corações (SSCC) na rua Picpus. 12 padres e 1 irmão foram levados para a prisão.
Durante este período, a Congregação dos Sagrados Corações sofreu duramente. No dia 12 de abril de 1871, as casas dos Irmãos e das Irmãs da Congregação, situadas na Rua Picpus, em Paris, foram invadidas. Doze padres e um irmão foram presos. Pouco depois, no dia 5 de maio, setenta e quatro Irmãs, juntamente com a Superiora Geral e dez noviças, também foram encarceradas, embora a maioria tenha sido posteriormente libertada.
Quatro membros do Conselho Geral dos Irmãos permaneceram aprisionados até o fim:
No domingo, 21 de maio de 1871, a violência atingiu níveis extremos durante a chamada “Semana Sangrenta”. Na sexta-feira, 26 de maio, com a aproximação das tropas governamentais à prisão de La Roquette, o coronel Émile Gois ordenou a libertação de alguns prisioneiros. Entre os libertados estavam os quatro religiosos dos Sagrados Corações.
Eles foram conduzidos à Rua Haxo e, no pátio da sede da Guarda Nacional, foram brutalmente assassinados diante de uma multidão revoltada. O episódio ficou conhecido como o Massacre da Rua Haxo, símbolo da perseguição religiosa e do ódio contra a fé naquele período.
Testemunho que permanece. Esses quatro religiosos eram homens profundamente dedicados à formação, à vida comunitária e ao serviço da Igreja.
Pe. Ladislau Radigue, SS.CC. foi por muitos anos mestre de noviços e reconhecido como modelo de fidelidade religiosa.
Pe. Policarpo Tuffier, SS.CC. era conhecido pela alegria, sabedoria e bondade com todos.
Pe. Marcelino Rouchouze, SS.CC. destacou-se como educador e servidor discreto da Congregação.
Pe. Frézal Tardieu, SS.CC. homem de grande humildade, foi formador de São Damião de Molokai e exemplo de entrega silenciosa.
Unidos pelo mesmo carisma e pela fidelidade até o fim, eles enfrentaram a morte com serenidade e fé. Sua entrega é testemunho vivo de que nada pode separar o cristão do amor de Cristo.
Um legado de fidelidade
A Igreja reconheceu oficialmente o martírio desses religiosos e os proclamou beatos, como sinal de que sua morte foi um verdadeiro ato de fé e amor.
Hoje, eles permanecem como inspiração para a família dos Sagrados Corações e para toda a Igreja: convite à coragem, fidelidade e esperança, mesmo nas horas mais sombrias da história.
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.” (Jo 15,13)